Wednesday, September 8, 2010

Olhando a vida de formas diferentes

Dando continuidade ao livro Pai rico, pai pobre, Robert, que era o autor, tinha um pai que era altamente inteligente, tinha Phd. na sua área e cursou as universidades de Stanford, Chicago e Northwestern. Era um senhor carismático, forte e influente, que acreditava firmemente na educação. Foi bem sucedido na sua carreira, auferiu quantias razoáveis e trabalhou arduamente a vida inteira, mas sempre enfrentou dificuldades financeiras e deixou um monte de contas pra pagar quando morreu.

O mesmo aconteceu comigo. Meu pai era um homem extremamente inteligente, foi um pioneiro da computação no Brasil e acreditava firmemente na educação formal. Foi bem sucedido na carreira, criou um nome entre seus pares, ganhou quantias excelentes e trabalhou arduamente até se aposentar. Mas também enfrentou dificuldades financeiras e quando se foi, em 2009, deixou-nos somente uma casa. 

Na rua de Robert, morava seu amigo Mike. O pai de Mike nunca concluiu o segundo grau. Era também forte, carismático e influente. Acreditava também na educação, mas não na educação igual a que o pai de Robert cara acreditava. O pai de Mike também foi bem sucedido na sua carreira, ganhou quantias razoáveis e também trabalhou arduamente sua vida inteira. Mas o pai de Mike se tornou o homem mais rico do Hawaii e quando morreu, deixou milhões de dólares pra família, pra instituições de caridade e pra igreja.

Da mesma forma, eu tenho conhecidos e familiares que não ganharam dinheiro com seus empregos formais e que ganharam grandes quantidades de dinheiro, trabalhando arduamente a vida inteira e que quando morreram, deixaram uma verdadeira fortuna pros seus herdeiros. 

O que levou à essa diferença toda, se no começo da vida, o pai verdadeiro ganhava muito mais do que o pai de Mike, tendo em vista que era bem qualificado e tinha ótimo emprego? A resposta é simples: somente o modo de se organizar com relação ao dinheiro. Observe bem a diferença entre eles.

O pai de Robert dizia que o amor ao dinheiro é a raiz de todo o mal. Ele dizia sempre a frase: “Não dá pra comprar isso!”.

Ao dizer que “Não dá pra comprar isso!”, criamos uma afirmativa, o que nos deixa sem alternativa e seu cérebro pára de funcionar com relação a isso. É a morte do assunto.

O pai de Mike dizia que a falta de dinheiro é a raiz de todo o mal. Ele dizia sempre: “O que posso fazer pra comprar isso?”.

Ao indagar “O que podemos fazer pra comprar isso?”, criamos uma pergunta, que obriga você a refletir e põe seu cérebro pra trabalhar, exercitando a mente, que é o computador mais poderoso do mundo.

Uma das razões pelas quais o ricos ficam cada vez mais ricos, os pobres cada vez mais pobres e a classe média luta com dívidas é que o assunto dinheiro não é ensinado nem na escola e nem em casa. O fato é que a escola se concentra nas habilidades profissionais e acadêmicas e não nas habilidades financeiras.

Vejam só a diferença de percepção com relação às seguintes questões:

Impostos - O pai de Robert acreditava que os ricos devem pagar mais impostos para atender aos mais pobres. O pai de Mike achava que os impostos punem quem produz e recompensam os que não produzem.

Carreira - O pai de Robert dizia: “Estude arduamente pra conseguir um emprego em uma boa empresa”. O outro dizia: “Estude arduamente para poder comprar uma boa empresa”.

Família - O pai de Robert dizia: “Não sou rico porque tenho filhos”. O outro dizia: “Tenho que ser rico por causa de vocês, meus filhos!”.

Hora do jantar - O pai de Robert dizia: “Não quero que se fale de dinheiro na hora do jantar”. O outro dizia: “Vamos aproveitar a hora do jantar pra discutir sobre dinheiro e negócios”.

Risco - O pai de Robert dizia: “Em questões de dinheiro, seja cuidadoso, não arrisque!”. O outro dizia: “Em questões de dinheiro, aprenda a administrar o risco!”.

Casa – O pai de Robert dizia: “Nossa casa é nosso maior investimento e nosso maior patrimônio!”. O outro dizia: “Minha casa é uma dívida e se sua casa for seu maior investimento, você terá problemas!”.

Contas – O pai de Robert dizia: “O que eu mais gosto de fazer quando recebo meu dinheiro é pagar as minhas contas em primeiro lugar!”. O outro dizia: “Primeiro, eu pago a mim mesmo, só depois eu pago as contas!”.

Assim, mesmo o pai de Robert tendo ganhado mais dinheiro do que o pai de Mike no inicio da carreira, morreu pobre e devendo, enquanto o outro morreu rico e deixando dinheiro pros outros.

Isso ocorreu simplesmente porque o dinheiro vem e vai nas mãos de todo mundo, mas se você tiver sido educado quanto ao funcionamento dele, você adquire poder sobre o mesmo e pode começar a construir riqueza. Foi exatamente o que ocorreu com o pai de Mike.

Com relação às idéias do pai de Mike sobre a sua casa ser uma dívida, eu discordo dessa idéia, mas depois explicarei as minhas razões e explicarei as razões dele. 

Monday, August 30, 2010

Pai rico, pai pobre

Com quase uma década de atraso com relação aos que acompanham as modas literárias, me caiu às mãos um exemplar do livro de Robert Kyosaki: “Rich dad, Poor dad” no começo de 2007. Confesso que o preconceito que possuo com relação à essas obras que propõem receitas mágicas e livros de auto ajuda em geral me fizeram pensar duas vezes antes de lê-lo.

Como o assunto "investimento" começou a despertar o meu interesse nessa época, tendo em vista que eu tinha 32 anos e precisava começar a pensar na minha aposentadoria, resolvi dar uma rápida olhadela no livro em questão.

A linha simples de escrever, associada à inúmeros exemplos e historias, deixam o livro agradável de se ler. E apesar de não ser muito especifico com relação à nenhum tipo de investimento, eu considerei o livro bom e primordial pra todos aqueles que pensam em conquistar uma independência financeira. Na verdade, ele é apenas um choque, que dá início a uma nova forma de encarar a forma como você enxerga o dinheiro.

No Brasil, e eu digo isso pela experiência que tive, falar de dinheiro era uma coisa chata, feita por esnobes e arrogantes. Hoje em dia eu adoro falar de dinheiro, ainda mais quando se vem agregado uma boa idéia de investimento. Ontem mesmo estava lendo um livro com uma excelente idéia por trás. As oportunidades são infinitas.

Então esse livro conseguiu fazer com que eu alterasse toda uma linha de visão sobre o dinheiro e suas relações. E eu recomendo pra qualquer um como sendo o seu primeiro livro sobre finanças. O livro despertou meu interesse pelo aprofundamento em duas áreas de investimento que eu considero primordiais: ramo imobiliário e ações.

Mas antes de chegar nesse ponto de investimentos, gostaria de passar um pouco da idéia desse livro.

O autor prega que apesar do mundo ter mudado e de estarmos em constante mudança, seguimos os mesmos conselhos que foram dados aos nossos pais pelos nossos avós. Que conselhos eram esses? Ir pra escola, obter boas notas, obter um diploma acadêmico e conseguir um bom emprego com bom salário. Bem, essa formula funcionou por um bom tempo, mas funciona ainda hoje em dia?

Parece que não. Ter um diploma acadêmico hoje em dia não garante nem bons salários nem muito menos emprego. E se não temos essa garantia, como poderemos ter uma vida financeiramente independente e ainda mais, como se aposentar com dignidade, tendo em vista que os sistemas previdenciários de quase todo mundo estão à beira de um colapso?

O livro tenta abrir a mente das pessoas para que consigam fugir do que os americanos chamam de “rat race”, ou a “corrida dos ratos”. Mas o que vem a ser a “rat race”?

Bem, o sujeito nasce, vai pra escola, os pais exigem notas altas para poderem fazer uma boa universidade. Então ele faz uma boa universidade, e finalmente quando se forma, consegue um emprego.

Então esse individuo começa a ganhar dinheiro e chegam pelo correio os primeiros cartões de credito e ele começa a gastar. Depois ele se casa e é uma maravilha porque eles têm dinheiro de sobra, afinal são dois salários e um futuro promissor parece estar à frente do casal.

Compram um carro, uma casa, uma televisão de plasma, tiram férias e chegam os filhos. O dinheiro então já não é suficiente e eles passam a trabalhar mais para poderem arcar com as despesas que aumentaram, afinal têm que pagar pelo carro, pela casa, pelas despesas desta, pelo imposto predial, e sem falar que enquanto ganham mais, a alíquota do imposto que pagam também aumenta e assim, a contribuição é maior.

Eles se perguntam: “Nossa, a gente ganha tanto dinheiro... pra onde vai todo esse dinheiro no final do mês?”

Na verdade, eles trabalham pro dono da empresa (enriquecendo este), trabalham pro governo quando pagam os impostos (enriquecendo este) e trabalham pros bancos quando pagam hipoteca, empréstimo do carro, cartões de credito e cartões de lojas de departamentos (enriquecendo estes). Será que é difícil de saber pra onde o dinheiro deles vai?

Mas o pior de tudo não é isso. O pior é que mesmo nessa situação, o único conselho que eles têm pra dar pros filhos é pra fazer o mesmo, quer dizer, entrar também na corrida dos ratos, uma vez que eles desconhecem outro caminho a ser seguido.

A única forma de fugir da corrida dos ratos e passar pro “fast track” é aprendendo a fundo os fundamentos da contabilidade e da arte de investir.

Vejamos um exemplo simples. Uma empresa de capital aberto anuncia que irá realizar um downsizing. Ocorrerá então uma demissão de vários funcionários, o que obviamente irá aumentar o desemprego na região e irá fazer com que muitas famílias fiquem tristes. No final, os empregados é que perdem.

Por outro lado, na maioria das vezes que a empresa anuncia um downsizing, suas ações na bolsa sobem, pois o mercado sabe que a diretoria está tomando ações positivas, ou na forma de redução de pessoal ou demitindo devido à automações e em ambos os casos, a saúde financeira da empresa irá melhorar. O que ocorre? Os acionistas ficam mais ricos, e os investidores e proprietários ganham.

Quem foi demitido ou faz parte de suas famílias irá berrar: “Isso não é justo!!!”. Não, não é justo. Mas o mundo não é justo e se você tem pelo menos 30 anos de idade já deveria saber disso.

O fato é que existem dois lados para se estar, o de quem ganha e o de quem perde. Porque alguém gostaria de estar onde se perde? Porque não fazer algo mais em prol de controlar o seu próprio destino? Sim, pois quem controla o destino do empregado é um sujeito qualquer, que decidiu mandá-los embora. Porque não arranjar um jeito de você mesmo controlar o seu destino?

É isso que prega o livro. O livro diz que precisamos ter uma educação financeira pra sair da corrida dos ratos e controlar mais o nosso destino. Não deixar a roda viva levar o destino pra lá.

Não esqueça de que os ricos seguem uma regra e os outros 95% da população seguem outra. O sistema atual de ensino não possui uma sofisticação necessária pra se lidar com dinheiro no mundo atual. Alias, como poderiam nossos professores e pais ensinaram a lidar com dinheiro se nem eles mesmo sabem?

Essa é a idéia principal do livro e qualquer um pode ler e atestar com seus próprios olhos se vale a pena ou não entender os ensinamentos contidos neste. Boa sorte.